Entrevista a Nya Cruz, voz de Kandia (portugués)

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Muito obrigado a Nya pela ajuda ;)

Lembro-me que em Fevereiro do passado ano uma notícia me chamou a atenção: J-P. Leppäluoto, vocalista dos finlandeses Charon, tinha gravado um tema com uma banda portuguesa. Assim que decidi pesquisar a respeito do assunto, esperava encontrar apenas mais uma banda de goth rock... de longe!Conclui que dita banda contribui para a música com um carácter e uma atitude como poucas vezes temos o prazer de encontrar num primeiro trabalho como era “Inward Beauty/Outward Reflection”. Um ano depois, Kandia publicam "Into Your Hands", segundo single deste disco, e graças a isso, temos a desculpa perfeita para contactar com eles. Ladies and gentlemen, Nya Cruz, vocalista dos Kandia.


Olá Nya, como estás? Muito obrigado por fazer esta entrevista e ceder um pouco do teu tempo!

Nós é que agradecemos a oportunidade!

Bem, vamos a isso! O single "Into your Hands" acaba de ser disponibilizado em descarga gratuíta. Que tal está a funcionar? Tem sido bem recebido?

Sim, temos tido um bom feedback de quem descarrega o single, a maior parte dos fãs ficaram contentes por terem uma novidade na descarga e não apenas o tema que já conheciam.

Faz já algum tempo desde que lançaram o videoclip deste tema. Por que esperaram tanto tempo?

Desde que se falou em fazer o single que queríamos incluír algo mais, mas depois como infelizmente a música não pode ainda ser a prioridade na nossa vida, acabamos por ter de adiar a ida ao estúdio para gravar o tema bónus e essa foi a única razão do atraso de lançamento da versão digital.

Esta canção chegou inclusive a emitir-se na MTV Portugal. Chegou a emitir-se em mais paises?

O vídeoclip rodou também no Japão e na Letónia.

Como foi o rodagem do videoclip? Onde se levou a cabo e quem realizou?

O vídeo foi realizado pelo Ricardo Teixeira, um realizador super profissional e com uma criatividade imensa. Deixamos nas mãos dele a interpretação do tema da música e ficamos muito contentes com o resultado. Foram dois dias de muito trabalho, quase sem dormir, mas valeu tudo a pena quando vimos o resultado final. Para esse bom resultado contribuiu em muito o cenário que o Mercado Negro – um bar em Aveiro – nos proporcionou.

Voltando ao musical. Como surge a ideia de fazer um cover de Sade?

Há muito tempo que já falavamos em fazer uma cover de uma música que fosse de um género diferente do nosso. Achamos que a carga emocional deste tema de Sade se adequava bem a um tema mais forte mais rock com alguma melancolia. Revelou ser uma boa escolha . Gostamos muito do resultado.

Gosto muito da capa do single, a ideia da fragilidade. Isso faz com que a própria canção possa ter várias leituras. De que trata exactamente?

O tema fala de libertação, de mudança, de um renascimento que nos torna frágis nos primeiros tempos e a necessidade de sermos protegido por algo ou alguém mais forte. A mensagem da cançao no geral é positiva, é como que uma resolução em relação a uma clausura.

As letras de Kandia costumam ser muito passionais, parecem estar focadas em vivências pessoais e quase qualquer pessoa pode ver-se refletida nelas. Onde procuras inspiração para escrever? Em que te baseias para concepcionar as letras?

Penso que tiras essa conclusão porque de facto elas são baseadas nas vivências de quem me rodeia, daí um largo espectro de situações em que quase qualquer pessoa se consegue rever, que passa ou já passou algo de semelhante na sua vida. Mas isso é algo que queria especificamente para este álbum, daí o título dele, e todas as letras giram em torno das emoções, os valores morais, que são sem dúvida alguma, a verdadeira beleza e riqueza do ser humano.

Já passou mais de um ano desde a saída de IB/OR. Como vêem agora este álbum? Mudariam algo?

Na verdade não precisou de passar um ano para acharmos que poderíamos ter feito algumas coisas de modo diferente. Será eternamente o nosso primeiro álbum, o nosso primogénito e mais do que isso, será sempre a experiência que nos ensinou a não cometer certos e determinados erros num trabalho futuro. A partir do momento em que acabas de gravar o álbum já tens a cabeça noutras coisas, já queres escrever sobre algo diferente pois entretanto já se passou mais alguma coisa na tua vida. Acho que é natural assim acontecer.

Vosso Ep "Light" já obteve alguma repercussão, mas sem dúvida a colaboração de Leppäluoto em "Reflections" foi um empurrão grande à vossa carreira. Não pensaram em fazer um vídeo promo desse tema?

Sim, essa foi a primeira ideia e chegamos mesmo a iniciar preparativos, mas o vídeo sem a presença do JP não faria qualquer sentido e por razões de deslocação e agenda não foi possível realizarmos esse desejo.

Agora que Charon anunciaram tristemente a sua dissolução, não pensaram em oferecer-lhe um posto em Kandia ? ;)

(risos) Repara, se agora já somos comparados aos Lacuna Coil, o que achas que aconteceria caso tivessemos agora também uma voz masculina? (risos)

Nesse single (Reflections) existe uma versão em português de “Breathe (now)” e realmente fica muito muito bem, gosto do vosso idioma neste tipo de canções. Há planos para voltar a regrabar mais canções em vosso idioma natal?

Para já não surgiu nada, mas é algo que não conseguimos prever! ;)

Faz uns meses tivemos a sorte de poder presenciar o vosso concerto em Vitoria e ficamos impressionados. A vossa música nasceu para ser tocada ao vivo, sem nenhuma dúvida. Kandia gozam de uma grande presença cénica em geral, mas pessoalmente acho que ti mesma pareces ter crescido sobre um palco! Que lembrança guardam desse show? E quando voltaremos a ver-vos por estas terras?

Nós adorámos a experiência de ir tocar a Espanha, ficamos completamente assoberbados com a reacção do público à nossa música e toda a receptividade e cuidado que tiveram connosco em todas as áreas, desde a organização às outras bandas. Podemos dizer sem dúvida alguma que vamos voltar a Espanha e para mais datas no próximo trabalho.

Daqui a pouco actuarão na Letónia dentro de um festival onde que também estarão os Guano Apes! Será isto a prova ao provérbio “um nunca é profeta em sua própria terra”?

Gostavamos de pensar que não, mas tudo aponta que sim. Mas vamos dar tempo ao tempo e pode ser que cheguemos à conclusão que podemos “espalhar a palavra” na nossa terra e sermos ouvidos. Para tudo é preciso tempo, e o que tiver de ser, será. O importante é fazer chegar a nossa música a todos, comece onde começar e acabe onde acabar, entendes?

Sabemos que estando o mercado sobresaturado de bandas sempre se tende a comparar com grupos maiores, e em vosso caso (e vos asseguro que não entendemos os motivos) todos parecem estar obcedados em comparar-vos com bandas como Lacuna Coil ou simplesmente com qualquer outra banda com mulher à frente como se todas as bandas com voz feminina soassem igual. Como convive Kandia com tudo isto? É o mundo do rock ainda um mundo "de homens"?

As pessoas têm necessidade de comparar com alguma coisa, é intrínseco ao ser humano, temos muito medo de não saber classificar algo, temos ainda algum receio ou até discriminamos aquilo que é diferente, tudo tem de ter uma etiqueta. Como músicos, não podemos passar a vida a pensar nesse assunto. Quando compomos não estamos a pensar que vamos soar demasiado a esta ou aquela banda, não o fazemos propositadamente isso é mai do que certo, e também não fugimos disso, porque estariamos a tirar a legitimidade aos sentimentos que levaram à composição desta ou daquela música. Acho que agora tudo soa a qualquer coisa, parece que se perde a originalidade a cada passo, e podemos dar em loucos se quisermos propositadamente fazer algo diferente. Para mim a música é sentimento, e os sentimentos devem ser deixados livres e fluír. Assim é a música... nunca um compromisso.

Planos para este novo ano? Disco novo à vista?

Estamos a compor as novas músicas com muita calma, queremos fazer as coisas muito bem pensadas, além de termos projectos pessoais que também necessitam da nossa atenção. :)

Bom, pois até aqui nosso interrogatório! Muito obrigado por vosso tempo, se quiserem acrescentar algo mais, este é o momento!

Queremos agradecer a vós por todo o apoio que nos têm dado, significa muito para nós!!
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